Partido racista francês muda de nome para enganar eleitor

A extrema-direita prepara novas estratégias para o futuro

O passado nos persegue como uma sombra, pouco importa onde caminhamos, ele está presente. Assim, o partido de extrema-direita Front National (FN, na sigla em francês; Frente Nacional, tradução em português) tenta uma transformação, adotando um novo nome.

No dia 1º de junho, os militantes votaram a favor de tal mudança (80,8%) e, desde então, os racistas e xenófobos da França passaram a ser chamados Rassemblement National (RN), algo que pode ser traduzido como «Agrupamento Nacional» (AN).

Na verdade, trata-se de uma operação de comunicação das mais toscas. Marine Le Pen, atual presidenta do partido, procura desesperadamente se afastar do papai fascista Jean-Marie Le Pen, fundador do FN, nos anos 70.

Para fugir dessa imagem turbulenta do passado, quando o seu progenitor espalhava ódio contra estrangeiros, muçulmanos, judeus e homossexuais (sem contar outros grupos), a ação de marketing teve o objetivo de fornecer a aparência de uma nova dinâmica do partido «agrupamento». Depois da derrota nas últimas eleições presidenciais em 2017, apesar do recorde de votos obtidos pela formação extremista (10,6 milhões de votos no segundo turno), uma crise se instalou no FN, com uma série de perdas de seus seguidores e outros abandonos (do barco furado) de seus quadros dirigentes.

Nesse contexto, Marine Le Pen decidiu escrever um novo capítulo do «movimento nacional», maquiando a linha dura de seus partidários para se tornar menos monstruosa. Mas, com seu histórico ultradireitista, a filha defende as mesmas ideias do papai. Segundo o cientista político Nicolas Lebourg, explicando a situação na edição «infantil» do jornal Libération:

Isto não é uma novidade. Em 1974 e em 1988, o próprio Jean-Marie Le Pen pensou em mudar o nome do partido para afastá-lo de suas origens, pois havia antigos militares nazistas desde a sua criação

O «Agrupamento» de extrema-direita conserva não somente sua ideologia racista e antissemita, mas também guarda as marcas que caracterizaram os seus 45 anos de existência. Assim, o emblema da chama azul, branca e vermelha passará a ser contornado por um círculo, uma forma de homenagem ao partido neofascista Movimento Social Italiano (MSI), felizmente hoje já extinto.

Do alto de seus 89 anos de vida, o antigo líder do FN não gostou da ousadia da herdeira Marine Le Pen. A «traição» da filha foi denunciada violentamente:

É uma longa e corajosa história militante que estamos negando

A família Le Pen tenta incarnar o medo com sua temática anti-imigração, elegendo seus membros em cada pleito eleitoral, perpetuando a doutrina radical de extrema-direita. Muda de nome, mas não de política.