De olho no petróleo

Pré-sal do Brasil é vendido a preço de banana

Multinacionais estrangeiras estão esfregando as mãos, depois do leilão de reservas de pré-sal, realizado em um hotel de luxo do Rio de Janeiro, na última quinta-feira (7/6). A competição foi rude entre as petroleiras gigantes que foram atraídas pelo cheiro do precioso combustível e seu potencial econômico, numa das maiores descobertas de energia fóssil da última década.

É difícil imaginar que toda essa riqueza esteja sendo «leiloada», sem a necessidade de desencadear uma guerra ou qualquer outro tipo de conflito comparável à uma revolta – muitos países já sofreram com a cobiça de investidores e invasores de terra, a partir do momento em que o petróleo jorrou das profundezas.

Mas, com a participação subterrânea do atual governo em se tratando de relações internacionais, uma página sombria vem sendo escrita pelos soldados adeptos do liberalismo, acostumados com «comissões» distribuídas em função de suas operações contra o próprio país.

Enquanto o martelo determinava o preço dos blocos exploratórios de óleo e gás, grandes companhias americanas, europeias e asiáticas ficavam com água na boca, aguardando o momento de ganhar as ofertas na condição de operadoras, em pleno solo brasileiro.

No final da festa do leilão, o governo impopular de Michel Temer preparou uma narrativa destinada ao público, afirmando que o país arrecadou R$ 3,15 bilhões. Esse compromisso com a abertura ao investimento estrangeiro, apesar da crise que afeta o setor, é o oposto exato da época da presidência petista.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), principal sindicato de trabalhadores desse setor, escreveu um manifesto de repúdio ao desmonte da Lei de Partilha. O coordenador geral da FUP, Simão Zanardi, alertou:

A entrega dessas reservas está condenando gerações futuras a não poder desfrutar da riqueza desse recurso natural que foi descoberto pela Petrobrás e está sendo apropriado pelas multinacionais

Os gringos estão sorrindo à toa com a política implementada desde 2016, favorável ao mundo financeiro. Para entender a razão de tanta felicidade, basta se lembrar das últimas semanas, quando o caos deixou de ser apenas uma palavra.

A recente greve dos caminhoneiros teve o mérito de revelar os descalabros da política de preços da Petrobrás. De acordo com a FUP:

Estamos vendendo petróleo para depois importar derivados, isso significa exterminar com a produção nacional. Voltamos ao colonialismo dos tempos de Fernando Henrique Cardoso

Há quem chame isso «Ponte para o futuro».