Estatísticas macabras: mais de meio milhão de homicídios em 10 anos

Violência no maior país católico do mundo é destaque na mídia

Seis pessoas são assasinadas a cada hora no Brasil. Referindo-se ao Atlas da Violência 2018 divulgado na última terça-feira (5/6), um artigo do jornal «La Croix» apresenta o número de 553 mil pessoas mortas devido à violência intencional. A conclusão do periódico é sem ambiguidade:

Este número coloca o Brasil como um dos países mais violentos do mundo

Um dado relevante foi apontado pelo jornal: a taxa de homicídios é de 30,3 para 100 mil habitantes, ou seja, «30 vezes superior à média europeia».

No entanto, de acordo com o estudo apresentado em referência aos números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, comparativamente ao ano de 2016, houve uma redução significativa da taxa de homicídios nas regiões mais ricas do país ( Rio de Janeiro: -23% e São Paulo: -46,7%). Por outro lado, a violência explodiu nas regiões mais pobres, como no Rio Grande do Norte (+256,7%) ou na Bahia (+97,8%).

Racismo e morte

O estudo da violência endêmica do Brasil revela a vulnerabilidade dos negros. Em 2016, 71% das pessoas assassinadas eram negras ou mestiças, enquanto esta população representa 54% dos brasileiros. Segundo o relatório:

Em um período de uma década, entre 2006 e 2016, a taxa de homicídios de negros cresceu 23,1%. No mesmo período, a taxa entre os não negros teve uma redução de 6,8%

Para exemplificar a desigualdade existente em se tratando da selvageria contra as pessoas não brancas, «El País Brasil» citou o exemplo de dois jovens:

O alagoano J.S, 21, infelizmente tinha contra si dois fatores. Era jovem e negro. Em seu Estado isso significa que ele tinha as mesmas chances de ser assassinado do que se morasse em El Salvador, um dos países mais violentos do mundo com uma taxa de homicídio de 60 mortos por 100.000 habitantes. Terminou baleado caído na calçada no bairro Chã da Jaqueira, periferia de Maceió. Destino diferente teve P. H. Z., 27. Apesar da pouca idade, o conterrâneo de Silva foi aprovado em concurso para ser diplomata pelo Itamaraty. Assim como Silva, ele é alagoano. Mas com uma diferença: a cor de sua pele é branca. Para um homem branco em Alagoas, as chances de ser morto são baixíssimas, as mesmas dos Estados Unidos: 5,3 homicídios por 100.000 habitantes. A Organização Mundial de Saúde considera epidêmicas taxas acima de 10.

Com índices tão assustadores quanto à questão da segurança, o Brasil se posiciona vergonhosamente como a terra da impunidade, cada vez mais afundado no cenário internacional. A classe política é, sem dúvida, a maior responsável pela tragédia de tantas vidas ceifadas. Sem um projeto de inclusão social, o país exibe as suas desigualdades recordes.